Cool Talks — Charles Watson

Quem vê Charles Watson dando aula na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, guiando excursões em museus e viajando pelo Brasil com seus cursos, não imagina que ele já foi lutador de boxe amador, servente de pedreiro, trabalhou em um pesqueiro de arrastão e até como coveiro. “Nada anormal para um escocês”, diz ele. Ah, para quem não sabe, Charles nasceu na Escócia, mas escolheu o Brasil como casa há mais de três décadas.

Em julho do ano passado, convidamos Charles e seu workshop “O Processo Criativo” para vir a BH. Inédito na cidade, o curso foi um sucesso e há uns meses voltou com um novo nome — Creativity MasterClass: Módulo Sol na BarrigaQuer ter uma ideia de como foi? Então sente-se (e segure-se) na cadeira, pois hoje tem Cool Talks com Charles Watson. 

Charles, explique o nome do primeiro módulo do Creativity Masterclass. Sol na barriga? Como assim?

“Sol na barriga com um milhão de raios” foi a expressão que Pablo Picasso usou para descrever Matisse e a diferença entre um gênio como ele e um artista mediano. Ele estava insinuando que quando você ama o que faz, você faz mais, faz melhor, aceita os sacrifícios que qualquer processo criativo demanda e se torna mais capaz de perceber as nuances que fazem a diferença na sua área de atuação. A chamada genialidade acaba sendo o acúmulo de sua produção no dia-a-dia, ou como ele fala em outro momento “genialidade é personalidade com um tiquinho de talento.”

Na verdade, tudo depende de você mesmo. É o sol na barriga com um milhão de raios. O resto não é nada. É só por esse motivo que Matisse é Matisse — porque ele leva o sol na barriga. E é também o motivo por que, de tempos em tempos, algo acontece. A obra que se cria é uma espécie de diário. (Pablo Picasso — Tériade, 1932)

Qual é o maior obstáculo para se tornar mais criativo?

O maior obstáculo para a criatividade talvez seja estar enfiado num trabalho ou atividade que não traz real significado para sua vida. Mas existem muitos outros, como preguiça, medo de errar, intolerância à ambiguidade, dificuldade de pensar de forma divergente, meio impróprio (uma sociedade ou ambiente que não valoriza sua atividade), grupos cuja energia está mais investida em batalhas hierárquicas do que em interconectividade, e fluxo cognitivo.

Quais são os maiores mitos do processo criativo ou do ser criativo?

Criatividade não se trata de pílula mágica ou de “baixar o santo”. Ao contrário do que o senso comum sugere, a criatividade não é uma qualidade livre e autônoma que pode ser dissociada do envolvimento verticalizado com uma atividade ou linguagem específica. Quem não investe não lucra ou, como diz o escritor Robert Heinlein, “não há boca livre no universo”. Assim sendo, “estratégias” ou “técnicas” criativas só se tornam eficazes na presença de forte comprometimento ao longo de um tempo mínimo necessário para internalizar as regras do jogo.

Alcançar o desempenho criativo em seu nível máximo requer paixão, tempo de investimento, curiosidade, persistência, tolerância a ambiguidades e coragem para aceitar que muitos erros virão pela frente — erros não são apenas permitidos, são uma pré-condição para criação.

E talentosas não? Qual é a importância de talento?

Se com talento você quer dizer uma habilidade inata, então não confio neste termo.

Uma pessoa nasce com habilidade para tocar piano, escrever uma poesia ou desmontar um carburador? Acho que não. As regras que definem essas atividades precisam ser aprendidas e os circuitos neurais que as possibilitam são criados ao longo dos processos de aprendizagem.

Pesquisas conduzidas ao longo das ultimas décadas sugerem que, se é que o talento existe, ele não seria suficiente para garantir uma vida criativa. Nós sabemos que existem crianças bem dotadas, mas, curiosamente, é raro que se transformem em adultos que fazem a diferença dentro das suas respectivas áreas de atuação.

Tendemos a achar que produtos incomuns são fruto de processos incomuns. Na minha experiência, produtos incomuns são frutos de processos comuns. Se uma pessoa é talentosa mas preguiçosa e não faz nada, então quais são os fatos que vamos avaliar para discutir o seu talento? E se não existem fatos — textos, obras, estratégias — então o que estamos discutindo?

“Se as pessoas soubessem quanto tive de trabalhar duro para conseguir minhas coisas, não pareceria nada tão espantosa o que faço” (Michelangelo)

Você menciona uma regra de 10.000 horas. Por que 10.000 horas?

A chamada “regra de 10.000 horas” vem do trabalho de pesquisadores como K. Anders Ericsson, Michael J. Howe, Jane W. Davidson, John A. Sluboda e outros, que descobriram que é muito raro alguém fazer uma contribuição significativa na sua área de atuação sem ter passado aproximadamente 10 anos ou 10.000 horas envolvido com o seu assunto. Isso é uma estimativa do tempo, em média, que uma pessoa leva para internalizar informações suficientes do seu ramo para poder formular perguntas cruciais e criar o que é chamado de conhecimento tácito.

Existem pessoas que conseguem tal feito ainda muito jovens, mas se analisarmos a grande maioria delas, como MozartTiger WoodsPicasso,Jaqueline DuPréAyrton SennaMichelangeloMasaccio, veremos que elas começaram a estudar seus respectivos assuntos ainda muito jovens, e por isso atingiram os 10 anos de familiaridade bem cedo, com 14, 15 ou 16 anos de idade.

Não é que isso em si seja suficiente. Existem outras considerações, como a chamada “prática deliberada”, que é procurar trabalhar justamente as questões que apresentam maior dificuldade. Em meu livro “Um Leão Por Dia”, digo que essa seria a tendência de procurar problemas ao em vez de evitá-los — sem as conotações negativas que aparecem na cultura popular.

A educação formal compromete a criatividade?

Educação formal, na maioria dos casos, é caracterizada pelo que chamamos de pensamento convergente: respostas certas para problemas bem delineados, penalizando sistematicamente o erro, ensinando o que pensar ao invés de como pensar. Pensamento convergente é importante, porem não suficiente para a dinâmica criativa.

A única coisa que a ausência de erro comprova é que a pessoa nunca experimentou algo novo. Todo sistema que penaliza o erro é destinado ao fracasso mais cedo ou mais tarde por estar eliminando possíveis respostas para futuros problemas.

Pensamento convergente é associado aos chamados sistemas robustos. Umsistema robusto é um sistema desenhado para ser forte e resistir abalos. O problema é que, quando ele falha, a falha é catastrófica. Um sistema resiliente, por outro lado, considera a possibilidade de abalo e tende a ser mais flexível.

Bate bola, jogo (não tão) rápido

Se pudesse trocar uma ideia com qualquer criativo da história, quem seria e o que perguntaria?

Não acho que os mecanismos que determinam a criatividade mudaram muito ao longo dos anos, já as circunstâncias e o que é considerado criativo, sim. Eu perguntaria o que acham sobre coisas de agora. De vez em quando, voando em icy altitudes, eu imagino conversas com Leonardo da Vinci, tentando explicar sobre o funcionamento da asa enquanto muda seu perfil em pouso e decolagem, depois o funcionamento da turbina etc., penso sobre as perguntas que ele faria.

O melhor livro do mundo é…?

Eu não tenho a menor ideia de como responder. Li muitos bons livros que gostei, bons livros que não gostei, além de livros ruins que me deixaram com coisas muito importantes. Mas se eu tivesse que escolher, eu diria todas as peças de Shakespeare, que acompanharam o meu amadurecimento emocional.

O melhor filme do mundo é…?

A mesma resposta da anterior. Mas se eu tivesse que escolher, eu diria talvez “La Jetée” dirigido por Chris Marker. E se eu puder incluir seriado de televisão, sem dúvida, seria Breaking Bad, que tem aspectos fortemente Shakespearianos e que foi brilhantemente dirigido.

O que o Charles de hoje diria ao Charles de 30 anos atrás?

Eu diria que envelhecer é bom (desde que a saúde acompanhe). Diria para criar um bom nome, que sua reputação será a sua própria moeda. Diria para não ser abalado pela opinião da maioria, que vamos concordar, sempre foi equivocada.

Trabalhe muito:

Trabalho em si pode ser transformador, desde que associado a uma atividade significante.

Concessions:

Não faça concessões por conta de medo de como vai ser visto. Se estiver trabalhando numa área que ama e se tiver feito o trabalho necessário (e além do necessário) então confie na energia que só isso é capaz de liberar. Aqueles cujas vidas lemos nos livros de história, não são aqueles que seguiram os caminhos mais fáceis.

Erros:

Aceite que se for investigar terrenos novos, você vai errar, e muito; então vá se acostumando. A grande maioria das suas ideias simplesmente não vão ser muito boas. Pense bem. Se só 5% das suas ideias têm valor e você só tem 3 ideias por ano, não vai muito longe. Se tiver 60 ideias, então vai ter 3, e perante 3 ideias boas, ninguém lembra dos erros.

Teria muitas outras coisas a dizer mas não caberia aqui. Talvez eu digo coisas nas minhas palestras que eu sei que são importantes de lembrar. Tenho um amigo chamado Cadu que sempre fala para os seus alunos que ele dá aula e palestras para ouvir a sua própria voz dizendo as coisas que ele sabe que não pode correr o risco de esquecer. Ele dá aula para lembrar como viver a sua vida na maneira mais repleta possível.

Então, diria para mim 30 anos atrás: “tente viver a sua vida de acordo com o que você ensina, e faça com ética e o máximo de rigor possível”.

Posted on April 29, 2016 .

O iceberg era a solução do Titanic

Pense rápido: você é o capitão do Titanic e a colisão com o iceberg já é certa. O que você faria para salvar o maior número de pessoas possível? Aceleraria a entrada da tripulação nos botes salva-vidas? Usaria os móveis para flutuar? Tente ir um pouco além. Que tal o iceberg? Sim, o iceberg. Não encare-o como um problema, mas reflita sobre o que ele realmente pode ser.

Aproximadamente 60 anos antes do Titanic, 127 de 176 passageiros que emigravam da Irlanda para o Canadá conseguiram se salvar de um naufrágio ao escalar um monte de gelo no golfo do rio São Lourenço. Sendo o iceberg uma enorme plataforma de gelo, uma possibilidade para a tripulação do Titanic seria usar esse mesmo recurso e ficar ali até o resgate chegar.

É difícil dizer se essa tática seria realmente bem sucedida, mas o importante é ver como poucos pensariam nessa possibilidade. Como o iceberg é sempre visto como um perigo, é desafiador repensá-lo como outra coisa. Essa é a chamada fixação funcional, um viés psicológico comum que nos induz a ver algo apenas da forma como ele é utilizado tradicionalmente.

Em 1930, o psicólogo Karl Duncker encontrou uma maneira de driblar essa fixação. Ele entregou uma vela, uma caixa de tachinhas e uma de fósforos aos participantes e pediu que eles pregassem a vela na parede de forma que a cera não caísse no chão quando a vela fosse acesa. A maioria teve dificuldade em ver que a solução era esvaziar a caixa de tachinhas, grudar a vela com a própria cera derretida e então pregar a caixa na parede. Quando a caixa foi apresentada como um recipiente que guardava taxinhas, eles tiveram dificuldade em vê-la como algo mais do que isso.

Uma forma de superar a fixação funcional é subdividir o objeto em seus componentes mais básicos. Uma caixa de tachinhas pode ser deformada, rasgada e utilizada para outras coisas. O mesmo serve para a vela, que é feita de cera, tem pavio, e assim vai.

O físico norte-americano Richard Feynman sempre foi incentivado por seu pai a confrontar a sabedoria tradicional. Ele defendia que, se você estiver preso em um problema, você deve tentar ver o mundo de outro ponto de vista. E isso incluía questionar coisas aparentemente óbvias.

“Pegue qualquer ideia maluca. As pessoas costumavam acreditar em bruxas e hoje ninguém mais acredita. E você pensa ‘como eles podiam acreditar em bruxas?’. Então você inverte isso e pensa ‘vamos ver: em que bruxas nós acreditamos agora?’”

Feynman pergunta “por que escovamos os dentes? Quais são as evidências de que escovar os dentes realmente protege os dentes de bactérias?”. A questão não é se escovar os dentes é eficaz ou não, mas que você questione se você não está apenas repetindo um ritual sem sentido. Resumindo — e repetindo: veja o mundo por um outro ponto de vista.

Posted on April 29, 2016 .

Cool Talks — Ana Holanda

A gente não poderia apresentar a Ana Holanda daquele jeito clichê, falando que ela já ganhou diversos prêmios de jornalismo, que há cinco anos é editora-chefe da revista Vida Simples e que também toca seu projeto pessoal, o Minha Mãe Fazia. Nada de Ctrl+C e Ctrl+V no perfil do LinkedIn ou descrições prontas para falar da nossa parceira de cursos.

Conversamos com a Ana sobre os conhecimentos que ela está trazendo para o CoolHow, sua carreira, livros e filmes favoritos e até guilty pleasures. Olha como foi:

O que significa escrita afetuosa para você?

A escrita, que eu chamo de afetuosa, é aquela em que a pessoa conta uma história, a partir da própria perspectiva e do outro também. Costumo dizer que é cada vez maior o número de pessoas (que trabalham ou não com comunicação) que escrevem apenas para si mesmas, partindo apenas do seu olhar. E isso pode acontecer de muitas formas. Quando você utiliza palavras muito rebuscadas, tempos verbais muito longos, você está dificultando a leitura. Da mesma maneira, se você não se coloca como parte integrante do texto, se não se coloca no lugar do outro, também não consegue estabelecer uma conexão. Então, peca-se no que é a função primordial da escrita: estabelecer uma comunicação, um diálogo.

Pode parecer óbvio, mas o óbvio está sendo esquecido, especialmente hoje com a preocupação excessiva de estar presente em diversas mídias. Daí, a gente esquece do que é simples: qual a melhor maneira de se contar aquela história? Quando você para de se preocupar tanto — ou apenas — com a forma e se envolve com a essência do texto, consegue tocar o outro.

O que estamos vivendo hoje na escrita não é muito diferente do que experimentamos no dia a dia. Estamos tragados pelo excesso e esquecendo do que é, de fato, essencial.

Quando você começou a desenvolver esse conceito? Foi por alguma necessidade ou foi uma oportunidade que você enxergou?

Desenvolvi isso ao longo dos meus 20 anos de jornalismo, conversando, ouvindo, lendo. Quando saí da faculdade, eu estava com todas as fórmulas na cabeça: lead, narrativa, jornalismo científico, literário… tudo tinha a sua “caixinha”. Mas aí você vai pro mundo e percebe que as pessoas não podem ser colocadas em “caixinhas”. E a comunicação nada mais é do que interagir, perceber, entender, se relacionar com as pessoas. Isso é sútil. É como perceber as linhas finas da vida. Me dei conta que eu só conseguiria antigir o outro, fazer meu texto reverberar, se eu olhasse verdadeiramente para o outro. Conseguimos isso não apenas conversando, mas observando, percebendo o entorno. Quando estou entrevistando alguém, fico atenta às pausas, aos suspiros, ou quando o olho brilha. Isso diz muito e ajuda a construir a história, a alinhavar o que nem sempre as palavras conseguem dizer. Mas se você não está atento, simplesmente não se dá conta de que tudo isso está acontecendo diante dos seus olhos.

Você é editora-chefe da revista Vida Simples há cinco anos. Aconteceram mudanças na forma de se comunicar com o público?

Trabalhar na revista Vida Simples é um aprendizado diário. Não existem fórmulas prontas. A linha editorial da publicação permite que o jornalista seja parte integrante do texto. Ele pode contar ou não sua própria história, fazer uso da primeira pessoa (eu) e, muitas vezes, do nós. Pode parecer bobo, mas quando você utiliza o “nós” pressupõe que você faz parte daquilo também.

Em Vida Simples o jornalista não é apenas alguém que relata, ele está inserido na história, como dizemos na revista, na “nossa história”. E isso é acolhedor e não poderia ser diferente. Uma revista que se propõe a ajudar as pessoas a encontrarem um sentido na vida, que mergulha nas angústias e nos dilemas cotidianos, que aponta caminhos e instiga a reflexão precisa acolher — sem apontar direções ou soluções como se fosse o dono da verdade. E só conseguimos realmente fazer isso quando olhamos para o outro do mesmo patamar.

É claro que a revista ao longo dos seus 13 anos de existência já passou por algumas mudanças gráficas e editoriais. Mas nunca abandonou a sua essência, que é ajudar o leitor a ter uma vida com mais sentido.

Qual é, na sua opinião, o erro mais comum na hora de se comunicar com o público?

É não olhar verdadeiramente para o outro. Gosto muito daquelas imagens, que se propagam aos monte nas redes sociais, de cenas em que todos olham fixamente para a tela do celular e não percebem a vida acontecer ao redor. Estamos fazendo exatamente isso quando nos comunicamos: acreditamos que a nossa verdade, o nosso olhar é também o do outro. Daí, os equívocos acontecem aos montes. Gasta-se tempo e dinheiro com uma ideia que não dá certo, que não tem empatia.

O que as pessoas podem esperar do seu primeiro curso no CoolHow?

Um mergulho dentro da gente mesmo. Porque é preciso se despir dos nossos pré conceitos para então treinar o olhar em relação ao outro. Vamos falar sobre o que é simples e das obviedades que estão tão esquecidas. Para isso, pretendo conversar muito, contar muitas histórias, trazer referências (de livros, autores), revelar o processo de criação de Vida Simples — das escolhas da pauta às escolhas das imagens — , dar exemplos de bons textos, propor alguns treinos de edição e de uso da linguagem. E como contextualizar tudo isso em outros formatos de mídia. E espero que, ao final, todo mundo fique com gostinho de quero mais.

Bate-bola jogo rápido

Algo que gosta, mas tem vergonha…

Gosto de comer manga me lambuzando. Meu pai em ensinou a comer assim. ele colhia do pé e eu e meus irmãos descascávamos com a boca, puxando a casca com os dentes. E isso faz um tremenda sujeira. O caldo escorre pelos braços. Não tem jeito mais gostoso de comer, mas não dá para fazer em público. É um prazer solitário ou para dividir com poucos e íntimos. Em público, como com garfo e faca mesmo.

Se pudesse ser alguém, seria…

Gosto bastante de ser quem sou.

Se nascesse em outra época, nasceria em…

Talvez daqui a 100 anos. Sou uma pessoa bastante esperançosa em relação à humanidade. E espero que as próximas gerações sabiam viver com mais liberdade e respeito em relação ao próximo e às suas escolhas.

Melhor filme do mundo…

Aquele que conversa com a gente. E isso varia tanto, né? Depende muito do momento em que estamos vivendo. Gostei bastante, por exemplo, de A Vida Secreta de Walter Mitty. Assisti novamente dias desse. Fala muito sobre o atual momento que estamos passando no jornalismo e, de certa maneira, na vida.

Melhor livro do mundo…

Os livros também variam demais de momento de vida, né? Teve uma época em que mergulhei de cabeça nos livros de Gabriel Garcia Marques. AdoreiCem Anos de Solidão. E li muitos, muitos livros dele. Me encantava com seu realismo mágico. Recentemente, fiquei profundamente tocada com o livro A Menina Quebrada, da ótima jornalista Eliane Brum; e também com a delicadeza descrita no livro Kyoto (de 1962), do autor japonês YasunariKawabata.

Se só pudesse comer uma comida para o resto da vida, seria…

A da minha mãe, cozinheira de mão cheia e quem me ensinou que a comida alimenta não só o corpo, mas a alma e nos ajuda a tecer nossas histórias e nossas relações.

Posted on April 25, 2016 .

UFJI — Universidade Federal do Jardim de Infância

Apenas lápis, caneta e borracha na mesa, por favor. Pode deixar a criatividade em casa. Aqui estão dezenas de questões múltipla escolha para fazer em algumas poucas horas. Esta prova decide seu futuro e começa agora.

Achou que era o ENEM? Esse é apenas um simulado para alunos da 5ª série do Ensino Fundamental. Ou seriam da 4ª? Começamos cada vez mais cedo a preparar nossas crianças para o vestibular — até tiramos um ano da Educação Infantil para criar o 9º do Fundamental. Felizmente, tudo valerá a pena quando elas estiverem prontas para o futuro… certo?

Alerta de spoiler: existe vida pós-ENEM. Sem papel para marcar A, B, C, D ou E, sem fórmula decorável para o sucesso e nem sempre com apenas uma alternativa correta. Agora adultas, essas ex-crianças se frustram por falharem e percebem que falta aquela coisa a mais para solucionar diferentes problemas: criatividade.

Na escola, errar significa perder pontos e perder muitos pontos significa repetir o ano. Esquecemos que experimentar e falhar traz benefícios. Picassopodia repintar suas telas durante meses antes de chegar ao resultado que queria. Shakespeare escreveu 154 sonetos ao longo da vida e sabe-se lá quantos rascunhos não viram a luz do dia. Quando falamos deles, lembramos apenas dos sucessos. Falamos de Guernica e Hamlet, mas não dos fracassos.

A propósito, sabia que crianças que experimentam aprendem 30% mais? É o que educadores da Universidade de Stanford descobriram ao trocarem o tradicional método lousa-livro por aulas mão na massa nas quais crianças montavam robôs e sistemas eletrônicos inteiros.

Temos exemplos made in Brasil também. Em Barueri, uma escola estadual adotou o uso de robótica e tecnologia da informação e percebeu uma melhora de mais de 100% no aprendizado dos alunos.

Em BH, estamos extremamente orgulhosos em apresentar a nossa criança para outras crianças: o CoolHowzinho. Nele, juntamos as melhores coisas que as crianças podem fazer na infância com o estímulo às habilidades que vão fazer todo o sentido para elas no futuro. Vamos trabalhar (ou melhor, nos divertir) com movimento makerempreendedorismotecnologia,criatividade e muitas outras possibilidades. Tudo com a ajuda de educadores especializados em crianças.

Posted on April 20, 2016 .

O futuro do passado não é o presente

Segundo alguns filmes sci-fi do século passado, as pessoas do futuro (vulgo nós) vestiriam apenas roupas prateadas e dirigiriam carros voadores. De Volta para o Futuro 2 chegou bem mais perto ao prever a existência de tecnologias similares a tablets, drones e óculos de realidade virtual em 2015. Infelizmente, continuamos esperando o skate voador chegar (estamos perto).

Sem querer tirar os méritos de Dr. Brown e Marty McFly, mas o filme foi lançado há “apenas” 30 anos. Em 1900, antes desse negócio de prever o novo milênio ser mainstream, artistas franceses já imaginavam como seriam os anos 2000. O resultado é esta curiosa fusão steampunk entre novas tecnologias e maquinaria antiga:

No fim das contas, sabemos que visualizar o que vem pela frente não é fácil, no entanto, é difícil se esquivar dessa necessidade. Precisamos ser capazes de detectar sinais que fogem ao padrão de hoje e anunciam, quase que de maneira profética o que acontecerá amanhã. Não é magia, é habilidade, que você pode aprender.

Colecione sinais (fatos, notícias, personalidades, produtos, etc) e veja se eles não estão juntos, num nível simbólico, enviando uma mensagem única, quase que apontando em uma direção. Talvez seja pra lá que esteja indo o mundo, ou pelo menos uma parte dele.

Ferramenta pra fazer isso? Experimente o Pinterest.

Só é pego de surpresa quem estava destraído, ou melhor, destreinado. ;)

Posted on April 18, 2016 .

DESGIF-SE, POR FAVOR

O que tem pra hoje: (1) Desgif-se, por favor. (2) O que o James Cameron tá fazendo aí? (3) Ligue o GPS e vá ler um livro (4) Será que tá na moda? Joga no Google, bem. (5) Português, seu lindo. (6) Ernesto: esse cara sou eu? (7) Foca em mim! Põe o óculos? (8) Uma imagem vale mais do que mil ebooks. (9) Vai brincar ou vai te comer? (10) Essa criança chamada Youtube.

Posted on May 4, 2015 .

O paraíso do conteúdo

Placa de boas vindas da cidade de Las Vegas. Fonte: @Bugsy

Placa de boas vindas da cidade de Las Vegas. Fonte: @Bugsy

1. Nossa Vegas também é fabulosa

Tem quem considere Las Vegas um paraíso, seja da jogatina, das compras ou fiscal. Tem até quem se case lá. Entretanto, são dois motivos bem diferentes que trazem a cidade norteamericana para esse post. O primeiro se chama Betty Willis, uma senhora de 91 anos. Você a princípio pode não saber de quem se trata, mas certamente conhece algo feito por ela. A designer foi responsável pela criação de um grande símbolo de Vegas. Em 1959, a empresa de neon em que ela trabalhava recebeu a incumbência de criar um portal de boas vindas para a cidade, semelhante aos instalados em outras cidades americanas no pós-guerra. A tarefa foi parar nas mãos de Betty, que ao invés de seguir apenas o script "Bem vindo a Las Vegas", decidiu acrescentar a palavra "fabulosa", simplesmente porque era o que pensava da cidade. Betty faleceu no último domingo, na casa da filha, em Vegas.

Homenagear a fabulosa Betty foi um motivo, mas o outro foi contar da nossa Vegas, igualmente fabulosa. Nosso paraíso aqui no CoolHow é o conteúdo. Somos praticamente viciados em informação. Sério mesmo. Lemos, assistimos, ouvimos tanta coisa todos os dias, que precisávamos abrir as portas do nosso parque de diversões para outras pessoas. Sem grandes pretensões, apenas com a intenção de ser útil, sempre. Seja bem vindo a nossa fabulosa Vegas.

 

2. Cada país tem o emoji que merece?

Na Austrália são duas canecas de chopp, no Canadá um cocozinho, nos EUA uma beringela (?). A SwiftKey, empresa responsável pelo teclado virtual do seu smartphone (com sistema Android ou iOS), pesquisou mais de 1 bilhão de dados entre outubro de 2014 e janeiro desse ano. Lendo os emojis – ícones para representar emoções – utilizados por pessoas de 16 países diferentes, a pesquisa levantou informações curiosas sobre o uso dos ícones em cada cultura. O Brasil, é o país que mais usa o ícone com "duas mãos juntas", o qual uns dizem ser símbolo de oração e outros de High Five. Talvez seja mesmo oração, já que outro emoji mais usado por aqui é a igrejinha. Leia o Emoji Report completo, em inglês.

> É grave. Lembra a época em que a Luciana Gimenez só conseguia pensar em inglês? Agora tem gente com dificuldade por pensar em Emoji. Confira o testemunho nesse artigo da Vice (em inglês, pra você Lu).

 

3. Capetão FM: o fim do FM

"Agradeça as coisas boas / Entenda as coisas ruins". Em 11 de janeiro de 2017 a Noruega se tornará o primeiro país do mundo a eliminar o sinal FM. O governo norueguês está colocando todas as suas apostas no sinal digital. Hoje já são 22 estações e ainda cabem outras 20. Segundo o governo do país, eliminar o sinal FM vai representar uma boa economia, inclusive de energia elétrica, além de mais qualidade na transmissão e novas possibilidades de interação para o público. Vários outros países, com intenções iguais a da Noruega estão atentos para o que vai acontecer por lá, com aquele olhar típico de "vamos ver se vai dar merda". O receio é do público abandonar definitivamente o rádio e pular para os serviços de streaming.

> No Brasil, o serviço de streaming já ultrapassou, em faturamento, o download de músicas, segundo pesquisa divulgada pela Folha. E o faturamento digital (streaming + downloads) já está quase alcançando o de formatos físicos (CD, DVD musical, Vinil), por enquanto o placar é 37,5% x 40,6%.

 

4. Agora pare! Pegue no vinil

Se você já participou do nosso curso de pesquisa e análise de tendências, as próximas linhas não vão te surpreender. A Polysom, única empresa na América Latina capaz de produzir um vinil em todas as suas etapas, está com sérios problemas. Errou feio se pensou que é por falta de produção, porque o problema é o excesso, meu querido. As máquinas da empresa estão congestionadas! No Brasil e no mundo a produção e a venda de vinil estão crescendo em cerca de 60% ao ano. Para João Augusto da Polyson, só há uma explicação: a paixão pelo ritual. Matéria completa no caderno de cultura do Estado de São Paulo.

 

5. Slack, nós <3 você

Qual a explicação para o sucesso estrondoso de aplicativos como Slack, GroupMe e Whatsapp? Lá pelos anos 90 teve gente apostando no fim dos chats, no entanto, aí estão eles, os velhos (olá, UOL) e os novos. O Slack, por exemplo, do mesmo criador do Flickr, tinha o objetivo inicial de servir como plataforma de comunicação interna para empresas, mas seu uso já foi expandido para grupos de amigos e de pessoas com interesses em comum. Por quê? "Salas de bate-papo oferecem um raro espaço para conversas privadas dentro de uma internet cada vez mais perigosa", responde a matéria do Gizmodo. É lá também que o Dr. Bernie Hogan do Instituto de Pesquisa da Internet de Oxford dá uma outra interessante explicação: “Nos chats, nós sabemos quem é nosso público — nós podemos errar. (...) podemos dizer algo idiota e retirar o que foi dito muito mais facilmente do que em uma situação pública”.

> Essa conversa nos lembrou um artigo do Dave Pell, nosso ídolo. :) Em "I Will Not Post This" ele fala que estamos próximos da Era da Autocensura, que dá mais medo do que o inverno de Game of Thrones.

 

Ishiguro e seu Geminoid. Fonte: Laboratório de Robótica Inteligente, Universidade de Osaka.

Ishiguro e seu Geminoid. Fonte: Laboratório de Robótica Inteligente, Universidade de Osaka.

6. Quanto mais robôs eu crio, mais entendo os seres humanos

Essa frase poderia ter saído da boca de Hiroshi Ishiguro, o cientista japonês, diretor do  Laboratório de Robótica Inteligente da Universidade de Osaka, que dedica sua vida a desenvolver robôs que se parecem, inclusive fisicamente com seres humanos. “A questão sempre gira em torno do que é um humano. Tento compreender os seres humanos ao construir robôs realistas”, afirma Hiroshi. O próximo grande projeto do cientista é dar aos robôs intenções e desejos. Quando atingir sua meta, será capaz de entender os desejos e intenções das pessoas, pelo menos é o que ele acredita. Confira a matéria completa e as caras de louco do Hiroshi na matéria da Vice.

> Pausa para o diálogo mais impactante do filme Ela:

Theodore: Eu jamais amei alguém do jeito que eu te amo. // Samantha: Eu também não.Theodore: eu jamais amei alguém como eu te amo. 
Samantha: eu também não.

>> Talvez agora esteja explicado o motivo de grandes personalidades como Bill Gates e Elon Musk estarem voltando suas atenções e bolsos para combater o surgimento de inteligências artificiais sobre-humanas. Ficou com medo? O tio Bill falou sobre o assunto nessa entrevista (em inglês).

 

7. O que acontece em Vegas...

Na nossa Vegas é diferente. O que você viu, pensou e fez aqui, faça o favor de levar e espalhar para mais pessoas. Ainda mais se realmente tiver encontrado coisas úteis. Sabe a placa criada pela Betty? Pois é, quem vai embora de Las Vegas vê as costas dela, onde está escrito: "Dirija com cuidado". Vale pra lá, vale pra cá. Foi um prazer te receber, volte mais, e dirija com cuidado.

Gostou? Que sorte a nossa, porque esse é só o primeiro. Não quer perder o próximo? Cadastra seu e-mail aí embaixo. :)

Posted on April 23, 2015 .

CoolHow no Creative Mornings sobre Educação

O CreativeMornings é um café da manhã mensal – e gratuito - seguido de uma pequena palestra e de um bate-papo. O formato, criado em 2008 por Tina Roth Eisenberg (mais conhecida como swiss-miss.com),  está presente em mais de 100 cidades, além de Nova Iorque, onde tudo começou. 

Em Belo Horizonte, quem comanda o evento criativo é Leandro Alpi (@leandroalpi), Diego Rezende (@2ego) e Pedro Raslan. E foram justamente eles que convidaram o Tiago Belotte [diretor de conteúdo do CoolHow] para fazer uma palestra sobre o tema educação.

Posted on April 6, 2015 .

Por que CoolHow?

Parede do CoolHow ilustrada com frase do livro. Obra da nossa designer Theresa.

Parede do CoolHow ilustrada com frase do livro. Obra da nossa designer Theresa.

- Qual o nome da empresa?

- CoolHow.

- Curral?

- Mais ou menos isso. Olha aqui no nosso cartão de visita.

- Ah! Gente, adorei o nome!

Quando começamos em 2011 a proposta da empresa era clara: fazer diferente onde todo mundo acredita que só é possível fazer igual. Daí o nome, sua grafia e o desenho da marca. Explicávamos isso, a nossa maneira, para quem perguntava. Até encontrarmos numa livraria a melhor explicação, escrita por outra pessoa:  Vacas não Voam – um livro infantil de David Milgrim. O livro conta a história de um menino que desenhou vacas voando e foi repreendido pelos adultos, afinal, vacas não poderiam voar. Colocada sobre uma mesa, a folha desenhada voa pela janela, indo pousar num pasto. As vacas veem o desenho e, claro, começam a voar. Ao ver os bichos planando entre as nuvens, o menino tenta mostrá-los aos adultos, que preferem acreditar no que sabem, a conferir com os próprios olhos uma nova realidade.

Aí nós nem precisamos explicar mais.

Ah, temos o livro aqui. Se quiser lê-lo, pode vir, é o tempo de um café. ;)

 

Posted on April 5, 2015 and filed under Lab.