DESGIF-SE, POR FAVOR

Parede de uma das salas de palestra do Festival Path 2015. Foto: Tiago Belotte

Parede de uma das salas de palestra do Festival Path 2015. Foto: Tiago Belotte

01. DESGIF-SE, POR FAVOR.

Gifs são legais, mas levar uma vida gifzada não é bom não, meu amigo. Mesmo que seja divertido, o gif animado repete a mesma coisa infinitamente. E na vida, vamos combinar, não há nada de animado nisso. Se você está em busca da felicidade (quem não?), considere descobrir coisas novas. Nem é papo de "o segredo", viu. É dopamina. Aquela substância química liberada no cérebro, que provoca sensação de prazer e recompensa. Sabe qual é uma das coisas capaz de fazer o cérebro liberar dopamina? Conhecer algo novo. Melhor do que isso, só descobrir que a substância funciona como o botão de salvar do cérebro, segundo a doutora e neurocientista Martha Burns. Significa que aprender algo novo dá prazer? Significa. Então, tá esperando o que pra encher essa cabeça de dopamina?

 

02. O que o James Cameron tá fazendo aí?

Não sei, meu amigo. Só que antes de mais nada, preciso dizer: o conceito mais bonito do ano é “centralidade harmônica”. Lindo, né? E o significado tem a ver com o James Cameron. Um pouco. Centralidade harmônica é a medida usada por pesquisadores da Universidade de Milão na Itália para desenvolver o primeiro ranking aberto da Wikipedia. Cada artigo recebeu uma nota baseada na quantidade de outros artigos que levam até ele. Você pega, por exemplo, James Cameron e vê quantas páginas dentro da própria enciclopédia estão citando e linkando o diretor de Titanic e Avatar. A propósito, ele é o 10º lugar na categoria Inventores do ranking. Não me pergunte o porquê. Já os Beatles levaram a melhor na categoria banda; Londres bateu Nova Iorque como cidade; Barack Obama e Elizabeth II são, respectivamente, o homem e a mulher mais importantes da Wikipedia. Agora, quer saber a ironia? O livro mais importante é a Enciclopédia Britânica. Vale a pena visitar The Open Wikipedia Ranking, ver outras categorias e o melhor de tudo: fazer suas próprias pesquisas. 

 

03. Ligue o GPS e vá ler um livro

Ler uma história em que o personagem percorre locais da sua cidade, passando pelas mesmas ruas que você, deixa a trama ainda mais interessante, certo? Fica fácil imaginar as situações, uma vez que o cenário está vivo na sua memória. É esse o mérito do Trip Book Smiles, escrito por Marcelo Rubens Paiva (aquele do Feliz Ano Velho) para o programa de milhagens Smiles. O livro conta a saga de um casal em viagem de segunda lua de mel. O destino da viagem? Um GPS localizado no livro é que sabe, ou melhor, a cidade em que o leitor estiver. Por enquanto isso só é verdade para leitores de Nova Iorque, Paris, Rio de Janeiro, Lisboa, Buenos Aires e Roma. Disponível na Play Store e em breve na App Store da Apple.

 

04. Será que tá na moda? Joga no Google, bem.

Mais de 35 mil pesquisas por segundo no mundo inteiro. No Brasil, 93% das buscas online são feitas usando ele. Está tão presente na rotina das pessoas, que Google já virou até verbo. Imagine aí a quantidade de informações que a empresa por trás do buscador tem sobre nossos desejos e necessidades? Daí fica fácil entender porque um relatório sobre moda, criado e divulgado pela empresa, merece a atenção de todo mundo que se interessa pelo tema. Foram analisadas mais de 6 bilhões de buscas feitas nos EUA. No relatório descobri que as saias mídi estão em alta entre as norteamericanas e vão continuar sendo tendência por um bom tempo, pois as pesquisas crescem de forma vigorosa e constante. Peraí que fui ver o que era uma saia mídi. Se quiser, dá pra baixar o Fashion Trends for Spring 2015 em PDF

 

05. Português, seu lindo

Passei minha infância assistindo Nossa Lingua Portuguesa com o professor Pasquale. Às vezes achava chato, mas gostava da forma como ele fazia o português parecer mais fácil e sempre mostrava como a língua é bonita e única. Por isso, fiquei feliz quando me deparei com esse vídeo produzido pela equipe de pesquisa da FAPESP. Sabia que o português falado no Brasil é mais antigo que o falado em Portugal? Ah, ficou chocado né? Nosso Português é uma continuidade do idioma falado pelos irmãos lusos no século 15, quando vieram para o Brasil. Já o português de Portugal dos dias de hoje é uma versão mais nova, iniciada no século 18. Explicado porque às vezes não entendemos nada que eles falam. O vídeo explica porque o “português brasileiro já pode ser considerado único, diferente do português europeu, do mesmo modo que o inglês americano é distinto do inglês britânico”. Termino como o Pasquale: então, é isso.

06. Ernesto: esse cara sou eu?

Ernesto é um cara medíocre vivendo uma vida de gif desanimado. Comer, trabalhar e dormir. A revista Ernesto é a boia de salvação desse cara. Cada edição traz um tema pra tirá-lo, ao menos um pouco, do lugar. Segundo Tiago Pereira, um dos responsáveis pela publicação, quando o Ernesto se tornar um cara legal a revista acaba. Calma, tá longe ainda, o primeiro número acabou de sair. O tema da Ernesto #1 é “Precisamos do Colapso para Evoluir?” e vem com, dentre outras coisas, a história surreal do Ricardo Trajano. Um cara que nos anos 70, aos 21 anos, se tornou o único sobrevivente de um voo para Paris com outros 123 passageiros. Ninguém é totalmente Ernesto. Todo mundo tem um pouco de Ernesto. Pelo sim, pelo não, trate de desgifizar sua vida. Vá ler sua Ernesto

 

07. Foca em mim! Põe o óculos?

Há duas semanas a revista de domingo do New York Times resolveu fazer uma capa daquelas trabalhosas. O tema era o número de imigrantes que transitam todos os dias pela cidade de Nova Iorque. Para ilustrá-lo, convidaram o artista urbano JR, e ele fez uma colagem de 45 metros de comprimento na calçada em frente ao Flatiron Building, no coração de Manhattan. Nem adianta se animar para ver, a obra de arte durou apenas 24 horas. Mas pra evitar os “ai, Photoshop, aposto”, a equipe da revista chamou a galera da Vrse, empresa especializada em experiências de realidade virtual. Com um acessório tipo Google Cardboard (óculos de realidade virtual) e o app da Vrse dá para conferir in loco como foi todo o processo. Engana-se quem pense que essa foi apenas uma forma de gerar buzz. Por trás da iniciativa está o New York Times experimentando uma nova forma de fazer jornalismo.

> No Festival Path, na semana passada, tive o prazer de ver Ana Holanda, editora da revista Vida Simples, dizer de forma bem franca que quem está em crise são as empresas e não o jornalismo. Jornalistas continuarão sendo importantes, independente do formato. Concordo, Ana!

>> Na semana passada a GoPro anunciou a compra da Kolor, uma empresa francesa de realidade virtual. O CEO da Kolor, Nick Woodman, afirmou que vê na compra uma oportunidade incrível de colocar a GoPro “na linha de frente do movimento de realidade virtual“. Vamos acompanhar.


08. Uma imagem vale mais do que mil ebooks

É minha gente, clique aqui para baixar o último ebook mais sensacional da semana. Mentira. Vem ver as fotos vencedoras do Sony World Photography Awards 2015. O fotógrafo vencedor fez imagens do drama com o ebola na Libéria. De rasgar o coração em milhares de pedaços. Confere lá, vai valer muito mais a pena que muito ebook por aí viu, ô se vai.


09. Vai brincar ou vai te comer?

David Carr, do New York Times, criou uma boa metáfora para traduzir o que a grande mídia sente em relação ao Facebook. Segundo ele, a rede social do Zuck é um cachorro grande vindo em sua direção no parque. Você sempre fica na dúvida se ele vai brincar com você ou se vai te comer. O problema é que não tem um cachorro só solto nesse parque. Pela primeira vez na história, a grande mídia não tem controle total sobre sua cadeia. Idealizar, produzir e distribuir o conteúdo, tudo estava dominado. Não mais, porque a distribuição agora foi parar em outras mãos, principalmente nas redes sociais. De olho nessa realidade, Facebook e Snapchat estão se movimentando para criar parcerias com empresas de mídia. Já o Twitter, recentemente, tentou adquirir uma. Especula-se que a rede social tenha tentado comprar o Mic.com, site de notícias para o público jovem. Ainda não temos uma conclusão para essa história, entretanto, esse artigo do Business Insider dá um belo panorama dos últimos desdobramentos.

 

10. Essa criança chamada Youtube

Dá pra acreditar que essa criança entrou na nossa vida fazem apenas 10 anos? Foi no dia 23 de Abril de 2005, com um vídeo infame sobre a tromba do elefante do zoológico. Jawed Karim, cofundador do site, talvez tenha sido mais corajoso ao fazer o vídeo de 18 segundos com um comentário sem graça sobre o elefante, do que pra se aventurar como empreendedor da internet. Para nossa sorte a plataforma cresceu e se tornou o terceiro site mais visitado do mundo, atrás apenas do Facebook e do seu pai, Google. Graças ao site de vídeo tivemos o prazer de conhecer Gangnam Style, Keyboard Cat, Luisa Marilac, e Giovana com seu forninho. Eita, Giovana. Mas, nem tudo é tromba de elefante no Youtube. A criança tá ficando mais velha e se tornando um jovem interessado em mais do que fazer rir. Já temos muitas horas de conteúdo útil disponível por lá. Gracias, Khan Academy, TED, Manual do Mundo, professor Jubilut, etc. Ah, parabéns, jovem.

> Acha que já tem muito vídeo online? Aguenta aí, de acordo com o relatório Cisco Visual Networking Index, até 2018 cerca de 90% do trafego online será proveniente da soma de todos os formatos de vídeo (TV, on demand, internet, p2p). The Streaming is Coming. ;)

Gostou? Vamos encher suas segundas-feiras de dopamina! Cadastre-se aí embaixo para não perder os próximos.


Posted on May 4, 2015 .